Avatar é maior que todos nós
Falar de “Avatar” é difícil porque o filme é gigantesco, colossal, tão maior que todos nós que o perdemos de vista. Fala-se da exorbitante quantidade de dólares gastados na produção, em todo o universo digitalmente criado só para o filme, toda a movimentação de profissionais envolvidos naquele que viria a ser o conjunto do que há de mais avançado em tecnologia de efeitos especiais, até que perdemos o fôlego. Só que, para falar a verdade, isso tudo pouco importa. O importante é entreter, ser interessante, abordar questões pertinentes, coisa e tal. “Avatar” faz tudo isso muito bem, mas é bom se conter porque… é só um filme.
A história se passa em 2154, e o soldado do Exército americano Jake Sully é chamado às pressas para substituir o irmão gêmeo em uma operação curiosa. Uma estação terráquea vem absorvendo os recursos de um planeta chamado Pandora, em uma missão que conta com soldados do Exército como seguranças. Em Pandora vivem os Na’vi, um povo bem maior que os humanos, azul, e com traços de felino. Na intenção de se misturar entre os Na’vi, compreender seus costumes e ganhar confiança, um time de cientistas desenvolveu uma técnica que permite colocar um humano no controle de um corpo Na’vi, geneticamente criado nos laboratórios. É assim que Jake Sully, por meio de um “avatar” Na’vi, acaba indo parar, por acaso, no meio da civilização antes tida como hostil, mas que o recebe com inesperada hospitalidade.
Pode não parecer ao se assistir o trailer ou ver as fotos de divulgação do filme, mas até que existem bastante cenas com os atores de carne e osso, por mais que os personagens digitalmente construídos dominem o filme. Sam Worthington trabalha bem, assim como Sigourney Weaver, que faz a chefe do laboratório, mas me surpreendi com Michelle Rodriguez (ela fazia a Ana Lucia em “Lost”), que finalmente parece ter encontrado seu personagem. Vale lembrar que o trabalho de atuação por trás dos Na’vi conta com atores reais por trás, então são merecidos elogios à jovem Zoë Saldaña (fez a Uhura no novo “Star Trek”), que interpreta o interesse romântico do “avatar” de Jake, Neytiri.
Como já era de se esperar, os efeitos especiais fazem tudo o que já vimos antes parecer pouco. O destaque vai para os próprios Na’vi, todos criados digitalmente, e que se incorporam ao resto dos elementos da tela como se lá estivessem, mesmo. Em termos de história, dá para perceber saudáveis manobras que fogem do clichê aqui e ali, por mais que o desenrolar da trama não traga muitas novidades. Pouco importa, já que os avanços técnicos de “Avatar” vão, com certeza, dar início a muita coisa nova que veremos nos anos a seguir. Vale a pena ver só por essa importância histórica adiantada. Em 3D, é claro.
Ricardo Prado é editor do blog Cinecartógrafo.
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