16/12/2008
Teatro Educativo Roberto Villani necessita de donativos
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AC: Como foi o seu primeiro contato com o teatro?
Roberto Villani: Eu estava com 6 anos de idade. Freqüentava o Jardim da Infância do Colégio Coração de Maria (o Jardim da Infância, uma espécie de prezinho, recebia meninos e meninas) em Santos. Páscoa de 1945, a Irmã Julia (nossa professora) decidiu preparar uma dramatização sobre a efeméride. E eu fui escolhido para protagonista, ou seja, o coelhinho da Páscoa.
AC: O senhor tem alguma outra formação, além de professor?
RV: Sou diretor artístico (teatro), com registro DRT-16625/79 – MTPS-1056.
AC: Como foi o começo do Teatro Educativo?
RV: Eu trabalhava na Escola Profissional de São Paulo, da PETROBRÁS em Cubatão. Em 1966, o Dr Plauto Antunes Rodrigues, Diretor, resolveu criar vários clubes de interesse na escola. Clube de matemática, de ciências, história etc. E criou também o clube de imprensa, com objetivos de estimular alunos à leitura e à escrita. Fui nomeado responsável por esse clube, uma vez que tinha experiências jornalísticas. O teatro educativo nasceu de necessidades práticas; estratégias para motivação dos alunos. Então, passei a adaptar exercícios de teatro para aplicação sistemática junto aos alunos. E a proposta deu certo.
AC: O senhor continua com o TE? Em quais cidades?
RV: Continuo. Quando me mudei para a cidade de Descalvado (SP), em 2000, resolvi instalar um núcleo de Teatro Educativo num bairro de periferia da cidade. E isso ocorreu em 2003, no bairro Morada do Sol. Os resultados são tão positivos que o novo prefeito quer implantar outros núcleos na cidade. Há também interesse de uma associação na cidade de São Carlos em criar um núcleo num bairro bastante crítico.
AC: Como o TE é recebido pelos diretores das escolas?
RV: Infelizmente, depois do Colégio do Carmo de Santos, no qual, na década de 80, com o apoio total da diretoria de então, instalei teatro educativo em todas as séries do ensino fundamental e no curso de tradutor e intérprete, nenhum outro colégio mostrou interesse. Nem mesmo na cidade onde estou, com todo o sucesso do núcleo TERV Morada do Sol. Infelizmente.
AC: Como foi a sua carreira jornalística e como ela influenciou no projeto do TE?
RV: Comecei como repórter do jornal O Diário, de Santos, em 1960. Mais tarde, passei a cronista desse mesmo jornal. Eu escrevia crônicas todos os domingos, numa coluna chamada Coisas & Gentes. Escrevi também no jornal Notícias do Litoral, de Santos. E no jornal Escolinha, editado pela PRODESAN, no qual eu publicava estórias infantis sob o título de Estórias do Tio Villani. Isso foi em 71, 72... Mas foi a experiência no jornal O Diário que me possibilitou coordenar o Clube de Imprensa da EPSP e toda a motivação para o teatro educativo. Os alunos interpretavam repórteres e saíam a campo para buscar notícias reais. E os repórteres fotográficos registravam as cenas mais significativas dos eventos. Essas fotos eram afixadas em murais no pátio da escola. E as notícias, redigidas pelos próprios alunos, eram publicadas no jornalzinho PETROESCOLAR, rodado em mimeógrafo a álcool.
AC: O senhor guardou as crônicas que escreveu na imprensa santista? Nunca pensou em publicá-las em livro?
RV: Na realidade, tenho algumas. Poucas. Muitos recortes dos jornais perderam-se com o tempo. Hoje escrevo para o jornal Primeira Página, de São Carlos, crônicas dominicais. Essas sim, algumas, editei em iniciativa independente. Bar dos Morcegos e outros inacreditáveis, nome do livro, reúne míni-contos com certa dose de mistério. Mas ainda não os coloquei a público.
AC: O senhor continua escrevendo crônicas?
RV: Com certeza. É um dos meus esteios, alimenta o meu ego. Adoro escrever.
AC: Como surge a inspiração para escrever peças de teatro infantis? Que autores o senhor mais lê? De quais mais gosta?
RV: As idéias surgem na convivência com crianças. Hoje, meu grupo de teatro educativo conta com 60 crianças e adolescentes, na faixa etária de 3 a 17 anos. Não tenho preferências definidas. Leio tudo, de todos. Entretanto, considero meus mestres Machado de Assis e, como não poderia deixar de ser, Shakespeare. (Uma curiosidade: Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839. Eu nasci no dia 21 de junho de 1939.)
AC: Muitas de suas peças são encenadas em escolas de todo o Brasil. Como o senhor se sente, sabendo disso?
RV: Eu me sinto feliz. Afinal, meu trabalho não foi em vão. Mas não só no Brasil. A peça PLOC, A BORBOLETA MAIS LINDA QUE JÁ VI, infantil, já foi apresentada no Japão, no Panamá (traduzida para o espanhol)... Mestres e diretores de teatro em Portugal têm montado vários textos meus, infantis, adultos... A peça didática Os Olhos da Cobra já foi filmada... Enfim, apesar de não receber um tostão de direitos autorais, estou feliz. E é isso que importa.
AC: Suas peças foram publicadas em livro?
RV: Somente uma, O Pequeno Reformador, foi publicada no periódico TEATRO DA JUVENTUDE, em 1968 (ela classificou-se em 3º lugar no Prêmio Narizinho daquele ano).
AC: Como o TE é mantido hoje?
RV: Por minhas expensas e por donativos. A Prefeitura local também ajuda, mas não supre totalmente o custo.
AC: Como faz para as pessoas ajudarem o TE?
RV: Peço. Principalmente através do meu site www.teatroeducativo.org. Mas os resultados são poucos.
AC: Existe alguma lei de incentivo que ajuda o TE?
RV: Não. Ainda não tentei e explico o porquê. O TERV não é uma instituição oficializada. Ainda é uma iniciativa pessoal, minha. Acho difícil conseguir apoio de alguma lei.
Doações podem ser feitas na seguinte conta: BANCO DO BRASIL - AGÊNCIA 00918-0 - CONTA CORRENTE 11997-0
Contato com Villani pode ser feito pelo telefone (19) 9120-1151, ou por e-mail: robertovillani@yahoo.com.br